Diego Junqueira, de Caracas
(Texto publicado no Terra Magazine: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1644865-EI6580,00.html)
A população de Caracas vive com incerteza e expectativa o fim de semana em que será concretizada a resolução do governo venezuelano contra a emissora RCTV. O temor é que ocorram, nas ruas da capital, ações violentas provocadas tanto por grupos que apóiam o governo quanto por opositores.
No começo da noite de ontem, a sede da emissora Globovisión sofreu uma ação de um grupo de jovens chamado “Coletivo Alexis Vive”, que pichou a fachada da emissora e se auto-qualificou como revolucionário, supostamente de apoio ao governo Chávez. Além da RCTV, a Globovisión também mantém uma postura de oposição ao governo venezuelano. “Quando eu vi que havia um elevado contingente de policias e da Guarda Nacional nas ruas de Caracas, eu me senti mais protegido. Mas isso não foi suficiente pra evitar esse ato de vandalismo.”, afirmou o diretor geral de Globovisión, Alberto Federico Ravell, em entrevista à RCTV. “Não vamos mudar nossa linha editorial porque nos atacam e nos ameaçam ou porque vão fechar a RCTV ”, avisou Ravell.
Dois dias antes, na quarta-feira, a sede da Fedecamaras (Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela, que reúne os empresários do país) sofreu ação semelhante. Além do Coletivo Alexis Vive, participaram desta ação a Frente Nacional Campesina Ezequiel Zamora, a Frente Nacional Comunal Simón Bolívar e a Coordenação Simón Bolívar, grupos que apóiam o governo venezuelano. Fedecamaras foi uma das instituições que, em abril de 2002, participou do Golpe de Estado que manteve Chávez fora do poder por 48 horas.
Entrevistado na noite de ontem pelo canal estatal VTV, o ministro de Comunicação e Informação, William Lara, informou que o governo venezuelano repudia ações anti-democráticas como as que foram executadas contra a sede da Globovisón. “Não há justificativa para que alguém, por mais vanguardista e revolucionário que se declare, tome atitudes anarquistas. Na prática, essas ações coincidem com as estratégias de grupos internos e externos de extrema-direita que pretendem desestabilizar a vida política venezuelana”, relatou o ministro. “O resultado disso é que esses setores reforçam sua campanha midiática de promoção do temor coletivo. Ocorre, então, compras nervosas nos supermercados, angústias nas ruas e medo na população. O temor não tem fundamento real, mas pode se propagar com esse tipo de ação”, completou.
O ministro William Lara garantiu ainda que, durante este final de semana, e “até que esses grupos desestabilizadores entendam que na Venezuela predomina a paz”, todas as emissoras de rádio e TV da capital, além da sede de todos os jornais, serão resguardadas por corpos policiais. Nessa sexta-feira, centenas de militares e policiais podiam ser vistos nas ruas de Caracas.
Desde terça-feira, cerca de seis policiais metropolitanos estão posicionados em frente à sede da RCTV, munidos com um carro e um camburão. A emissora trabalha seus últimos dias de transmissão em sinal aberta com a sua porta de entrada fechada até a metade (um portão metálico que corre de cima para baixo). Segundo um dos vigilantes da RCTV, a medida “é uma ação preventiva contra um possível ataque dos chavistas”. O funcionário informou ainda que, apesar da tranqüilidade que marcou os últimos dias, os seguranças da emissora vivem a expectativa de alguma ação no local durante o fim de semana.
Rebelião
O jornal caraquenho Últimas Notícias publicou ontem uma reportagem na qual denunciava que transmissões da Polícia Metropolitana foram interrompidas durante a última quarta-feira. De acordo com o diário, a mensagem, transmitida por trinta minutos, convocava uma rebelião e sugeria aos policiais que não atuassem contra manifestantes a favor de RCTV. A reportagem é baseada em “fontes extra-oficiais”, já que o diretor da Polícia Metropolitana, general Juan Romero Figueroa, apesar de ter admitido a interferência nas transmissões, não divulgou o seu conteúdo.
“Há grupos de extrema-direita que estão publicando pela internet ameaças contra o governo, distribuindo panfletos que não reconhecem a legitimidade do presidente e que convocam uma ação violenta nesse contexto de não renovar a concessão à RCTV”, disse o ministro William Lara. No último sábado, durante a marcha convocada pela oposição contra a medida do presidente Chávez, foram distribuídos panfletos assinados pelo grupo “Junta Patriótica” que convocavam uma rebelião.
De acordo com o panfleto – que além de ser entregue em mãos era também lançado para o alto – “Na presidência da República há um usurpador, ilegal e ilegítimo. Na Venezuela ameaçada não há saída eleitoral!!!”. E mais adiante: “a saída é a rebelião. Preparem-se para a luta. No dia 26 arranca a definição: ditadura ou democracia?”.
Na manhã deste sábado, 26, ocorreu, nas ruas de Caracas, mais uma das marchas a favor de RCTV. O destino da protesta foi a sede da emissora, onde um palco estava montado para discursos de artistas e jornalistas. Concluída por volta das três horas da tarde, a RCTV e a Globovisón informaram que nenhum incidente foi registrado durante a manifestação. Já a Agência Bolivariana de Notícias informou que um cinegrafista do canal estatal VTV foi agredido com “um chute no traseiro” por algum dos manifestantes, além de uma tentativa de tomar o microfone da emissora.
Em um discurso transmitido nesta sexta-feira em cadeia nacional de rádio e TV, o presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que, se houver qualquer tentativa da oposição de promover a desordem na capital venezuelana, ocorrerá “uma contundente e rápida resposta da força militar venezuelana”. Chávez afirmou também que dificilmente existe um país no mundo com maior liberdade de expressão que Venezuela.
Em traje militar, o discurso foi realizado em uma base áerea na cidade de Barcelona, na região oriental do país, com desfile dos novos aviões que o país comprou do governo russo. De acordo com a Agência Bolivariana de Notícias, o governo venezuelano concretizou em julho passado a compra de 24 aviões e 53 helicópteros, num investimento próximo à 3 bilhões de dólares.
(Texto publicado no Terra Magazine: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1644865-EI6580,00.html)
A população de Caracas vive com incerteza e expectativa o fim de semana em que será concretizada a resolução do governo venezuelano contra a emissora RCTV. O temor é que ocorram, nas ruas da capital, ações violentas provocadas tanto por grupos que apóiam o governo quanto por opositores.
No começo da noite de ontem, a sede da emissora Globovisión sofreu uma ação de um grupo de jovens chamado “Coletivo Alexis Vive”, que pichou a fachada da emissora e se auto-qualificou como revolucionário, supostamente de apoio ao governo Chávez. Além da RCTV, a Globovisión também mantém uma postura de oposição ao governo venezuelano. “Quando eu vi que havia um elevado contingente de policias e da Guarda Nacional nas ruas de Caracas, eu me senti mais protegido. Mas isso não foi suficiente pra evitar esse ato de vandalismo.”, afirmou o diretor geral de Globovisión, Alberto Federico Ravell, em entrevista à RCTV. “Não vamos mudar nossa linha editorial porque nos atacam e nos ameaçam ou porque vão fechar a RCTV ”, avisou Ravell.
Dois dias antes, na quarta-feira, a sede da Fedecamaras (Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela, que reúne os empresários do país) sofreu ação semelhante. Além do Coletivo Alexis Vive, participaram desta ação a Frente Nacional Campesina Ezequiel Zamora, a Frente Nacional Comunal Simón Bolívar e a Coordenação Simón Bolívar, grupos que apóiam o governo venezuelano. Fedecamaras foi uma das instituições que, em abril de 2002, participou do Golpe de Estado que manteve Chávez fora do poder por 48 horas.
Entrevistado na noite de ontem pelo canal estatal VTV, o ministro de Comunicação e Informação, William Lara, informou que o governo venezuelano repudia ações anti-democráticas como as que foram executadas contra a sede da Globovisón. “Não há justificativa para que alguém, por mais vanguardista e revolucionário que se declare, tome atitudes anarquistas. Na prática, essas ações coincidem com as estratégias de grupos internos e externos de extrema-direita que pretendem desestabilizar a vida política venezuelana”, relatou o ministro. “O resultado disso é que esses setores reforçam sua campanha midiática de promoção do temor coletivo. Ocorre, então, compras nervosas nos supermercados, angústias nas ruas e medo na população. O temor não tem fundamento real, mas pode se propagar com esse tipo de ação”, completou.
O ministro William Lara garantiu ainda que, durante este final de semana, e “até que esses grupos desestabilizadores entendam que na Venezuela predomina a paz”, todas as emissoras de rádio e TV da capital, além da sede de todos os jornais, serão resguardadas por corpos policiais. Nessa sexta-feira, centenas de militares e policiais podiam ser vistos nas ruas de Caracas.
Desde terça-feira, cerca de seis policiais metropolitanos estão posicionados em frente à sede da RCTV, munidos com um carro e um camburão. A emissora trabalha seus últimos dias de transmissão em sinal aberta com a sua porta de entrada fechada até a metade (um portão metálico que corre de cima para baixo). Segundo um dos vigilantes da RCTV, a medida “é uma ação preventiva contra um possível ataque dos chavistas”. O funcionário informou ainda que, apesar da tranqüilidade que marcou os últimos dias, os seguranças da emissora vivem a expectativa de alguma ação no local durante o fim de semana.
Rebelião
O jornal caraquenho Últimas Notícias publicou ontem uma reportagem na qual denunciava que transmissões da Polícia Metropolitana foram interrompidas durante a última quarta-feira. De acordo com o diário, a mensagem, transmitida por trinta minutos, convocava uma rebelião e sugeria aos policiais que não atuassem contra manifestantes a favor de RCTV. A reportagem é baseada em “fontes extra-oficiais”, já que o diretor da Polícia Metropolitana, general Juan Romero Figueroa, apesar de ter admitido a interferência nas transmissões, não divulgou o seu conteúdo.
“Há grupos de extrema-direita que estão publicando pela internet ameaças contra o governo, distribuindo panfletos que não reconhecem a legitimidade do presidente e que convocam uma ação violenta nesse contexto de não renovar a concessão à RCTV”, disse o ministro William Lara. No último sábado, durante a marcha convocada pela oposição contra a medida do presidente Chávez, foram distribuídos panfletos assinados pelo grupo “Junta Patriótica” que convocavam uma rebelião.
De acordo com o panfleto – que além de ser entregue em mãos era também lançado para o alto – “Na presidência da República há um usurpador, ilegal e ilegítimo. Na Venezuela ameaçada não há saída eleitoral!!!”. E mais adiante: “a saída é a rebelião. Preparem-se para a luta. No dia 26 arranca a definição: ditadura ou democracia?”.
Na manhã deste sábado, 26, ocorreu, nas ruas de Caracas, mais uma das marchas a favor de RCTV. O destino da protesta foi a sede da emissora, onde um palco estava montado para discursos de artistas e jornalistas. Concluída por volta das três horas da tarde, a RCTV e a Globovisón informaram que nenhum incidente foi registrado durante a manifestação. Já a Agência Bolivariana de Notícias informou que um cinegrafista do canal estatal VTV foi agredido com “um chute no traseiro” por algum dos manifestantes, além de uma tentativa de tomar o microfone da emissora.
Em um discurso transmitido nesta sexta-feira em cadeia nacional de rádio e TV, o presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que, se houver qualquer tentativa da oposição de promover a desordem na capital venezuelana, ocorrerá “uma contundente e rápida resposta da força militar venezuelana”. Chávez afirmou também que dificilmente existe um país no mundo com maior liberdade de expressão que Venezuela.
Em traje militar, o discurso foi realizado em uma base áerea na cidade de Barcelona, na região oriental do país, com desfile dos novos aviões que o país comprou do governo russo. De acordo com a Agência Bolivariana de Notícias, o governo venezuelano concretizou em julho passado a compra de 24 aviões e 53 helicópteros, num investimento próximo à 3 bilhões de dólares.

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