Este texto foi publicado no diário Correio Braziliense, no dia 1º de dezembro.
“Governarei até 2050, se for a vontade do povo”
de Caracas
Diego Junqueira
Se depender do “termômetro” Avenida Bolívar, a reforma constitucional será aprovada domingo na Venezuela. Simpatizantes do presidente Hugo Chávez, que impulsiona o projeto, ocuparam ontem a avenida para defender o “Sí” no referendo deste fim-de-semana. Na quinta-feira, adeptos da oposição se concentraram na mesma avenida, do começo ao fim, para rechaçar o projeto. Ontem, no entanto, os defensores do “Sí” ocuparam não apenas a Bolívar, mas também partes de avenidas próximas.
Em seu discurso, Chávez voltou a criticar a oposição venezuelana e o presidente norte-americano, George W. Bush. “Quem votar pelo “Sí” estará votando por Chávez. Mas, quem votar pelo “No”, estará votando por Bush. Porque não podemos esquecer quem é nosso verdadeiro inimigo. A oposição daqui faz somente o jogo sujo do império. No domingo vamos dar um novo nocaute em Bush. E digo mais. Eu sou um soldado, e se precisar pegar em armas para defender a pátria, eu não vou hesitar”, declarou.
Em um discurso inflamado de afrontações, o presidente venezuelano convocou Rafael Ramírez, presidente da estatal petrolera Pdvsa, para que revisasse as exportações de petróleo para os EUA. “Se o império atentar contra a pátria, se disserem que houve fraude no processo eleitoral, eles não terão uma só gota de petróleo. Ramírez, na segunda-feira, garanta que não haverá petróleo para eles. E a partir de hoje, que o exército ocupe os campos de petróleo”
Chávez fez também diversos chamados à oposição venezuelana, qualificando-os de “violentos”. “Se escolherem o caminho da violência, teremos uma pronta resposta. Eles dizem quem, se o “Sí” ganhar, haverá fraude, e que ocuparão as ruas. Bem, então lá vamos nos encontrar”, afrontou o presidernte venezuelano. Ele garantiu que, se o “No” ganhar, o governo reconhecerá o resultado eleitoral.
“Senhores da oposição, se o “Sí” ganhar, só restará a vocês aceitarem o triunfo da revolução. E se o povo decidir que eu tenho de governar até o ano 2050, até 2050 governarei Venezuela”, declarou Chávez. Se aprovado no domingo, a reforma constitucional estabelecerá a reeleição indefinida na Venezuela.
Momento crítico
O presidente venezuelano chegou à Bolívar às cinco da tarde, três horas depois de iniciada a concentração. Chávez entrou pelo final da avenida, em um caminhão aberto, precedido por outro que trazia uma câmera do canal estatal VTV. Em toda a avenida e nas ruas próximas, havia pelo menos seis palcos, com shows ao vivo de grupos locais e telões que transmitiam a VTV. Além disso, em diversos pontos da concentração, garrafas de água eram distribuídas gratuitamente, e, por volta das 4 da tarde, ao menos quatro pequenos caminhões chegaram para distribuir latas de suco e uma bandeja lacrada, com frutas e sanduíche.
Chávez não via uma concentração tão volumosa em Caracas desde 13 de abril deste ano, quando o governo comemorou cinco anos do retorno de Chávez ao poder após o Golpe de Estado de 2002. Os próprios chavistas reconhecem que as marchas que ocorreram desde aquela época não atraíram tanta gente.
“Nós sempre estamos com Chávez, mas estamos ainda mais nos momentos críticos”, disse Francisca Mendoza, que trabalha em sua comunidade para o Ministério da Saúde. “Primeiro o povo, depois Chávez”, avisou Mendoza, antes de ser interrompida por uma companheira, que tratava de corrigí-la. “Chávez é o povo. O povo é Chávez”.
O presidente venezuelano afirmou, na quinta-feira, dia da concentração opositora, que o referendo de domingo era o dia mais importante da revolução. Para os simpatizantes do presidente, a marcha de ontem foi uma resposta contundente à oposição venezuelana. “O que vemos hoje é indicador do triunfo do “Sí” no domingo”, avaliou Alexandra León, estudante da Missão Sucre, uma das iniciativas de Chávez, que criou aldeias universitárias em diversas regiões do país.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
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