Não tenho muito tempo para este texto, que não é jornalístico, mas um comentário. Hoje, 13 de abril, recorda-se 5 anos da volta de Chávez ao poder, depois do que aconteceu em 11 de abril. Há uma convocatória para que as pessoas para o Palácio de Miraflores, "en horas de la tarde", como diz o site da Aporrea. Assim, perdão pelo texto corrido.
Era difícil, no Brasil, ter informações confiáveis sobre a Venezuela. Aí só se fala de aqui como o céu e o inferno. De fato, a polarização política na Venezuela é radical. "Bolivarianos y escuálidos", como dizem os chavistas. "Marginales y democráticos", como dizem os anti-chavistas. Assim mesmo, não passeia por Miraflores ou pela sede da RCTV nenhum Deus ou Diabo. Os dois andam juntos e estão por toda parte.
Recebi hoje um e-mail do meu amigo Roberto de Martin com o link para uma reportagem (reportagem não, reprodução de notícia) do site Comunique-se. Aí segue.
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D35655%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D20221124401%26fnt%3Dfntnl
O que me chamou a atenção foram os comentários. E talvez seja algo que gostaria de escrever lá que eu vou escrever aqui.
Sobre RCTV não se pode dscutir sem falar de abril de 2002, quando surgiram dos perguntas: Foi golpe ou não? Renunciou ou não? A lembrar:
11 de abril: duas marchas nas ruas, oposição e oficialistas. A da oposição queria chegar a Miraflores. A oficilista estava no meio do caminho. A guarda nacional (chavista) e a polícia metropolitana (da prefeitura opositora de então) deviam fazer a segurança de todos. Diversos confrontos, 19 mortos. Quem começou?, quem atirou? Há imagens apontando os dois lados.
O que fez RCTV? Duarante todo o dia passava imagens da marcha com uma faixa na tela: "Ni un paso atrás". Isso é política, amigos. Isso não é se meter em política (como devemos fazer todos os cidadãos), isso é fazer política. Isso é incitar o povo contra um poder constituído.
Golpe de Estado ou não?
Sobre a noite, há imagens de Chávez saindo de Miraflores, assim, escoltado, mas não algemado. Ele diz que estava sendo sequestrado. A oposição diz que ele assinou a renúncia, mas esse papel nunca surgiu.
12 de abril: A oposição enlouqueceu nesse dia. Se tinham a tese da renúncia, quem deveria entrar no poder era o vice-presidente, para convocar novas eleições. Mas não, a oposição destituiu tudo, mudou o nome do país, aboliu a constituição aprovada dois anos antes... E colocou o empresário Pedro Carmona como presidente (hoje exilado na Colômbia).
O que fez a RCTV? Transmitiu tudo.
Na época o governo controlava apenas uma emissora Estatal, a Venezolana de Televisión, canal 8. Mas essa foi ocupada pela oposição no dia anterior. Restaram então outros quatro canais: RCTV, Venevisión, Televen e Globovisíon. As quatro faziam o jogo da oposição.
Chávez estava numa ilha venezuelana. Iam extraditá-lo para Cuba, os militares opositores, mas não o fizeram.
Houve perseguições a políticos chavistas.
13 de abril: A partir da madrugada os chavistas voltam a ocupar as ruas de novo. Que foi que aconteceu ontem? Carmona presidente? Não havia nada mais incostitucional. E dale povo saindo às ruas.
O que fez RCTV e as outras emissoras? Passaram filmes e desenhos durante todo o dia. Não transmitiram uma imagem sequer. A ordem era não passar nada sobre Chávez. Queriam abafar a mobilização porque
A mobilização foi feita boca a boca, celular... qualquer coisa. Havia muitos jornalistas estrangeiros nas ruas. E era com esses que os chavistas conversavam.
Pouco a pouco foram se unindo, aproximando-se de Miraflores. Retomaram o canal 8. Os partidários do presidente foram resurgindo, foram ao canal, foram às ruas, exigiram a volta do prediente. O número crescia. Chávez diz que houve mais de cinco milhões nas ruas de Caracas. Isso é impossível. Não há imagens nem depoimentos que confirmam.
Enfim, pediam a volta do presidente. Diziam que não havia ocorrido a renúncia. O documento nunca apareceu. Carmona e seus amigos, que tomaram o poder por pouco mais de 24 horas, fugiram de Miraflores. Os chavistas retomaram o palácio e colocaram o vice de então como presidente. Há imagens disso, do juramento e tudo. (Isso corrobora a idéia de que houve renúncia de Chávez, mas o documento nunca apareceu...)
E como gosta de dizer Chávez, à noite voltava ele à Miraflores, trazido pelas mãos do povo. E isso nem a oposição nega.
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Depois disso e até hoje: Venevisión e Televen se tornaram chavistas. RCTV será fechada (e será). Globovisión será o único canal de oposição (sua concessão se encerra mais ou menos em 2014). E surgiram os canais estatais ViveTV (que a partir deste mês tbm será transmitido na europa. Este é um canal mais cultural) e Telesur (que não era um canal aberto para os venezuelanos até fevereiro deste ano).
Como estamos nesses dias de abril, há uma maratona de vídeos nas emissoras, tanto estatales como de oposição. Foi vendo um pouco de tudo, e conversando com alguns amigos venezuelanos (chavistas ou não) que escrevi isso.
O problema com fechar a RCTV é que o governo não apresenta razão jurídica. Não há provas de ilegalidade. Há razões políticas, onde se consome a censura.
Há que escrever mais sobre isso, mas a tarde já avança. Esse, na verdade, é o país das marchas. Hoje em Miraflores. Dia 21 vai haver uma em apoio a RCTV.
E para os dias anteriores a 28 de maio, quando acabará a concessão da RCTV, Chávez disse que há planos para matá-lo, para um novo golpe.
Vamos ver o que vai acontecer.
(Texto publicado em 13/04/07)
segunda-feira, 30 de abril de 2007
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