Ler jornais na Venezuela é um entretenimento que me consome diversas horas. É muito divertido e interessante. Em cada página há uma notícia que parece que vai mudar o país ou a minha vidade habitante venezuelano.
Ontem, por exemplo, eu nem ia comprar o jornal. Já tinha lido o El Nacional na universidade, mas resolvi passar numa lotérica que há em Baruta, onde vivo, para ver a capa do El Universal, que é o maior e melhor jornal do país (no sentido em que é muito completo) e, além disso, é um dos mais ferrenhos críticos de Chávez. Chegam a dizer "A RCTV é a bandeira pela qual todos os venezuelanos devemos lutar". (Como não tenho tv, o que provavelmente vou providenciar neste fim de semana, não posso dizer muito sobre a RCTV. Mas, ao dar umas bisbilhotadas em tvs alheias, e só de olhar pela internet... essa emissora é uma ... porcaria completa. Isso não representa um apoio à medida de não renovação da licença).
Já ia fugindo do assunto...
A capa do El Universal de 14/02/2007 foi "Governo aumentou os preços de carne, frango, leite em pó e ovos". Ia quase saindo da lotérica quando percebi embaixo de vários jornais um exemplar de DiárioVea, um jornal criado pelo governo. No mesmo dia, a manchete "Governo baixou os preços de carne, leite em pó e ovos" me levou ao delírio.
O que acontece: o país vive uma forte crise de desabastecimento. É comum ir aos mercados e não encontrar carne, frango, leite e, principalmente, açúcar. Eu, em um mês na Venezuela, nunca vi açúcar em supermercado. Isso criou uma rede de especuladores, que detém alguns desses produtos e os vendem nas ruas a preços elevadíssimos. Ou mesmo nos mercados, com pouca oferta e muita demanda, o preço sobe.
Anteontem, então, o governo fixou novamente alguns preços. Por exemplo (valores não exatos): um frango inteiro estava fixado, há já algum tempo, em 9 mil bolívares, mas era vendido nos mercados a 14 mil. O governo então determinou que fosse vendido a 11 mil, valor que deve ser respeitado.
Ou seja, de fato, o preço fixado pelo governo aumentou. Mas o preço real, vendido nos mercados aos consumidores, baixou.
Não é necessário evidenciar nenhuma conclusão quanto aos jornais.
Mas, bem, vou passar num mercado hoje e ver o que passou mesmo. Às vezes o preço foi pra 17 mil... nunca se sabe.
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Resolvi então colocar aí ao lado links desses jornais e de um outro, do Aporrea, que é uma agência de notícias e opinião governamental. E coloquei também da Agencia Bolivariana de Noticias, igualmente do governo.
Desfrutem da imprensa venezuelana.
(Texto publicado em 15/02/07)
segunda-feira, 30 de abril de 2007
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